O músico precisa da Igreja, e a Igreja precisa de músicos!

A palavra ministério, do latim, ministerium, significa serviço. Daí, que o ministério de música na liturgia precisa servir a Deus e não servir-se de Deus e da Igreja para promover seu egocentrismo. A Sagrada Liturgia e a Santa Missa são incomparáveis. Porém, arrisco-me em uma comparação, salvaguardando as devidas proporções. Quando fui gravar meu segundo CD em 2008 contei com a participação dos “garçons-cantores”. Um grupo carioca, de música secular, que realiza as duas funções ao mesmo tempo em um restaurante na Barra da Tijuca. Ficam durante um período servindo as pessoas com alimentos e bebidas e se preocupam com cada detalhe. E num determinado momento começam a cantar maravilhosamente bem surpreendendo a todos. Quando a canção termina voltam ao seu ofício de anotar pedidos, e servir com uma alegria tão grande que desafia qualquer mau humor.

E na liturgia? Também não poderiam ser os músicos esses “garçons-cantores” que com arte e excelência sustentam a louvação, mas não o fazem pelo aplauso, mas pelo simples prazer de servir? Lembrando, carreirismo não rima com cristianismo. Quem deseja seguir a Cristo não esqueça que fará parte do grupo dos crucificados e não dos ovacionados. E não adianta fazer cara feia por não poder cantarolar como num show. Afinal, sabemos que missa não é show. Não é um mero evento social. Não é um barzinho.

O Papa Pio XII em sua Carta Encíclica “Musicae Sacrae Disciplina” descreve com precisão que a excelsa finalidade da música sacra consiste “em tornar mais vivas e fervorosas as orações litúrgicas da comunidade cristã, para que Deus uno e trino possa ser por todos louvado e invocado com mais intensidade e eficácia”.

Que vivamos tempos em que haja discrição no vestir e no cantar para fugirmos de qualquer banalização do sagrado. E nestes dias onde há espetaculização da fé, é preciso reforçar isso. Ao anotar os “pedidos” da Igreja e as orientações do pároco, não faça cara feia. Submeta as letras que vai usar à análise de um teólogo para que esteja de acordo com a liturgia diária e com os textos do missal e não siga modismos com erros doutrinários só para fazer sucesso. Sirva com amor. Como um garçom-cantor que não realiza suas vontades mas atende o que lhe foi pedido.

O músico precisa da Igreja, mas também Deus quis precisar dos músicos na Igreja! Vamos investir em formação humana e catequética, mas também em equipamentos de sons para garantir a qualidade de nossa mensagem. Quantos padres também chamam mais atenção para si do que para o Mistério do Santo Sacrifício? Se nos convertermos de verdade, sentiremos o reflexo nos comentários do povo. Que irá à Missa. Pura e simplesmente. A Santa Missa. Sem mais adjetivos “marqueteiros”. Não será a “Missa do Grupo tal”, a “do Padre Fulano”, “carismática”, “da Cura”, “da Libertação”, “Tradicionalista” ou “Sertaneja”. Bem disse a poetisa mineira Adélia Prado, “a Missa é como um poema e não suporta enfeites”.

Quantos desistiram da fé porque, ao invés de encontrar um pastor, encontraram um ditador que os ofendia na frente de todos? Músicos, tratem de estudar, respeitar e amar a Sagrada Liturgia para servir e amar a Deus. Mas padres, tratem bem seus músicos, não somente como servos, mas como amigos. Exortem com firmeza e amor. Em tudo, amar e servir.

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